[2026-07-06]
Um Relato Breve dos Eventos que Aconteceram no Forte Din, Naquele Dia Fatídico de Primavera que Deu Início ao Novo Reino
Dramatis personae
- Dom Alfredo, o Cavaleiro Raposa (Prosaiko)
- Príncipe Regge, o Cavaleiro da Relíquia (cucas)
- Sir Lan, o Cavaleiro Esmeralda (Gustavo)
- Sir Knotte, o Cavaleiro Observador (eu)
- O Universo (Dedão)
Relato
Fez, o Cavaleiro Gato, convidou todos os cavaleiros do Reino para um banquete no Forte Din. Já faziam muitos anos que suas heresias eram conhecidas -- ele havia parado de sonhar com a Cidade e começava a desconfiar dos Videntes --, mas aquela era a primeira grande ação que tomava. Com o apoio do popular Wifrun (Cavaleiro Besouro, lorde do Forte Maulguid e antigo amante do Protetor do Reino), Fez fazia agora o primeiro movimento num jogo que ninguém conseguia saber como terminaria.
Dos 18 cavaleiros que aceitaram o convite, certamente haviam alguns que apenas o fizeram na intenção de interromper os planos de Fez. Era o caso de Dom Alfredo, Cavaleiro Raposa, que havia sido instruído pessoalmente pelo Vidente Errante a assassinar Fez quando chegasse a hora. Aquilo havia sido 15 anos atrás, é verdade, num deserto distante onde muitas memórias ficaram perdidas, mas a promessa de Alfredo continuava em sua posse enquanto ele e sua Companhia aportavam no cais e adentravam no pátio do Forte Din.
Neste pátio, todos os cavaleiros foram reunidos -- talvez a maior reunião de cavaleiros fora do Festival das Estrelas. Lorde Fez proclamou que, antes de iniciar o banquete, ele ofereceria a todos os presentes uma proposta: que desfizessem seu juramento aos videntes e jurassem lealdade a ele e ao Forte Din; quem não quisesse aceitar, poderia partir em paz. "E então?", proferiu.
Todos se entreolharam, tensos. Uma brisa atravessou o pátio; alguém tossiu. Aquele momento interminável foi interrompido pelos Cavaleiros Gêmeos, em uníssono: "Nós desfazemos nosso juramento, e juramos lealdade ao Lorde Fez". Caminharam juntos em direção ao Lorde e se ajoelharam perante sua espada.
Sir Lan, da companhia de Dom Alfredo, demonstrou nervosismo. Ele compartilhava da missão de seu colega e havia acabado de perceber que talvez eliminar Fez fosse mais difícil do que parecia. E se todos os outros cavaleiros aceitassem o juramento? O que eles iriam fazer, matar seu líder e sair correndo? Eles estavam no ninho da serpente, afinal de contas... seja como fosse, pelo menos ele podia contar com a ajuda de sua companhia: Dom Alfredo, Príncipe Regge -- neto do Protetor do Reino e Cavaleiro da Relíquia --, e...
Sir Knotte, o Cavaleiro Observador, proclamou: "Lorde Fez, permite-me falar algumas palavras?". Seus aliados ficaram aliviados: ele claramente tinha algum plano.
Lorde Fez respondeu: "Oh, sim, claro Sir Knotte, fique à vontade. Você foi um grande colega durante todos esses anos, a palavra é sua."
Knotte fechou os olhos, encheu os pulmões, e iniciou seu discurso.
- desde muito jovem, sonho com a cidade... mas também parei recentemente.
- porque meus sonhos de ruas lotadas e pessoas felizes, foram substituídos por pesadelos de inocentes sendo mortos a sangue frio. inocentes que morreram sob a minha espada. *olha pra Aradia*. a serviço dos videntes. nenhuma explicação, nenhuma satisfação, apenas ordens, como um cachorro. como um escravo. caminhando para nossa própria morte *olho para a ombreira de Castine*.
- isso me preocupou durante muito tempo. eu achei que não servisse mais para ser cavaleiro, que talvez eu não estivesse o estômago necessário pra profissão, mas com o tempo percebi o que estava acontecendo: a cidade não será encontrada, mas construída. e os meus sonhos de injustiça, de inocentes sendo mortos, de famílias sendo separadas *olho para Regge* ... estes são os obstáculos que nos impedem de construir, neste reino terreno, o paraíso que tanto buscamos.
- não são apenas os videntes que podem ter visões -- eu também tive uma. o trono do poder vazio, abandonado, devorado por traças. ora, é claro: Abelad vive doente, e já é idoso. por que os videntes oniscientes não curaram sua doença? eu mesmo fui ao vidente silencioso e pedi ajuda para curar nosso protetor. a resposta que me foi dada? não há nada a ser feito -- isto é o que deve acontecer. eu lhes pergunto: isto é proteger o reino? largar seu protetor à doença, pegando mofo? *olho para Wilfrun*. é quase como se quisessem um protetor fraco de propósito! porque eles sabem que um reino desprotegido é um reino que buscará a orientação deles. eles nos cegam, para que possam nos presentear com sua visão. *olho para Lan*
- eu conheço meu juramento de cor: Perseguir os mitos, Honrar os videntes. Proteger o reino. eu não sei qual foi o juramento que os videntes fizeram, mas já não acredito mais que eles tenham a proteção do Reino como uma de suas prioridades. eles nos iludem com charadas, nos fazem voltar contra nós mesmos, nos subornam com presentes *olho para Alfredo*... tudo para esconder o fato de que sem nós, eles não são nada.
- eu sei que eles estão me escutando nesse exato momento *olho para o céu*. eu não sei o que eles almejam, mas agora, vendo a discórdia que eles incitam em nosso seio, vejo com clareza que não é o bem das pessoas que vivem no nosso reino.
- eu acredito em você, sir Fez. acredito que fará um trabalho melhor de proteger o reino e o povo que aqui vive. acredito que você não acredita em derramamento de sangue inocente. acredito que você acredita nos princípios básicos da governança -- que a fé deve ser conquistada, não assumido. portanto, lhe respondo: me juntarei à sua causa, conquanto tenha os interesses do reino em mente. e no momento que isso deixar de ser verdade, me comprometo a lutar pelo que é certo, nem que isso signifique a minha morte.
Seus aliados, se é que ainda assim se poderiam chamar, permaneceram incrédulos. Aquilo seria alguma estratégia criativa do Cavaleiro Observador? Ou será que ele realmente acreditava naquelas palavras? Não havia nenhum traço de dúvida ou escárnio nas suas feições, conforme ele caminhava para ficar ao lado de Lorde Fez. Sua espada permanecia embainhada. Aquilo realmente estava acontecendo?
Os cavaleiros presentes começaram a ver a proposta de Lorde Fez por outro prisma. Rostos que antes eram de dúvida, começaram a demonstrar certeza. Alguns estavam se preparando para dar um passo à frente... quando Dom Alfredo interrompeu o silêncio.
"Sir Knotte, somos companheiros de longa data. Eu reconheço a veracidade de suas palavras. E também tenho minhas dúvidas quanto aos Videntes". Ele deu um passo à frente. "Mas eu fiz um Juramento, e um Cavaleiro que desonra seu Juramento não é um Cavaleiro que se preze."
Lorde Fez assentiu. "Eu lhe entendo, Dom Alfredo. Não lhe farei mal algum, mas convido que se retire."
Dom Alfredo sacudiu a cabeça. "Temo que não seja tão simples assim, Fez. Eu lhe proponho um duelo." Alfredo desembainhou sua espada mágica, conhecida naquelas terras como Lamento dos Ímpios. Ele a segurou como se fosse ofertá-la. "Esta espada que levo comigo foi um presente dos Videntes. Caso eu vença o duelo, a superioridade d'Eles estará demonstrada, e suas palavras mostrarão que não há nada por trás delas. Mas caso você vença... reconhecerei que o poder dos Videntes não é páreo para você. Deixemos que nossas espadas decidam o argumento. O que me diz?"
Lorde Fez pareceu intrigado. Ele tinha de Cavaleiro a idade que Alfredo tinha de vivo, mas ainda se encontrava em boa forma. "Você está certo disso?"
Alfredo assentiu.
Fez olhou para os presentes, que quase unanimemente olhavam para ele com altas expectativas. Recusar um duelo naquelas condições seria terrível, especialmente quando queria demonstrar vigor e conquistar aliados. Sorriu um sorriso felino. "Muito bem então."
Abriu-se um espaço no centro do pátio. Conforme Fez se aproximava, Príncipe Regge interrompeu seu caminho.
- "Príncipe Regge...?"
- "Lorde Fez, eu... Eu acredito em você. Os Videntes não fizeram bem à minha família, e estou disposto a me juntar ao seu projeto. Mas eu preciso de garantias que meus familiares serão deixados em paz."
- Lan estremeceu. O Cavaleiro Esmeralda havia aproveitado a confusão para desaparecer no meio das folhagens do pátio, mas ainda conseguia ouvir perfeitamente o diálogo. O apoio do Príncipe concederia ainda mais legitimidade às forças de Fez, e não apenas isso, mas Regge havia se demonstrado um amigo. Se Alfredo falhasse no duelo, Lan estaria sozinho...
- Fez sorriu. "Fico feliz de ouvir isso, Príncipe. Prometo que não me esforçarei para fazer nenhum mal à sua família, nada tenho contra Medryn ou Sir Valamont. Mas temo que sua avó, Lady Egil, não aceitará uma saída pacífica para a situação."
- Regge não se deu por satisfeito. "Isso não é negociável. Você precisa garantir que eles ficarão bem."
- "Claro, Príncipe. Farei o possível." Dando a conversa por terminada, Fez desembainhou sua espada e caminhou em direção ao centro do pátio, onde Alfredo estava lhe esperando.
Wifrun deu as ordens, e o duelo teve início. Imediatamente, Fez começou a dançar ao redor de seu adversário, num jogo de pés típico do Cavaleiro Gato. Alfredo movimentava-se com cautela, buscando uma abertura para golpear.
Não demorou muito para o primeiro contato das espadas, onde pôde-se notar que ambos os Cavaleiros já estavam visivelmente cansados; se alguns acreditavam que Fez esmagaria Alfredo em poucos instantes, agora percebiam que estavam enganados. Os dois cavaleiros estavam praticamente no mesmo nível.
Mais um contato entre espadas. E outro. Ambos haviam encontrado seus limites; no seguinte contato, o sangue de um dos cavaleiros escapava de sua jaula carnal, pulando no precipício e manchando o solo. E era o sangue de Lorde Fez, um pequeno corte em seu pescoço.
Aquele não era o resultado que muitos imaginavam. Mas conforme Alfredo avançava na direção de seu adversário, se tornava claro que ainda não fosse o resultado final.
Sir Knotte interviu. "Alfredo, você provou seu ponto. Parabéns. Agora vamos parar por aqui, por favor. Ninguém precisa sair ferido."
As palavras de Knotte encontraram sentido na mente de Fez. "Seu companheiro está certo, Dom Alfredo, vamos in-"
Era a brecha que Alfredo precisava para cimentar sua superioridade. A lâmina de sua espada fez um novo corte no Cavaleiro Gato, agora em seu braço. Mais sangue no chão.
Knotte gritou. "Alfredo! Isso não é necessário!"
Mas Alfredo tinha uma missão, e o Cavaleiro Gato agora percebia a verdadeira situação em que se encontrava. "Os Videntes te enviaram?", perguntou arfante.
Alfredo respondeu: "Talvez."
Fez avançou. Dançou em direção a Alfredo, empunhando sua espada com todos os anos de experiência no trabalho -- como cavaleiro errante, radiante, dominante, e agora governante. Movendo-se como sua alcunha, perfurou o abdômen de Alfredo em um único golpe letal, rasgando-o de uma ponta à outra do quadril.
O corpo de seu adversário se desfez como uma miragem; não era Alfredo. Alfredo estava atrás de Fez, aproveitando a ilusão para terminar sua missão de uma vez por todas. Descendo sua espada sobre as costas de Fez, a Raposa comeu o Gato.
Lorde Fez desabou no chão, inconsciente, e o caos tomou conta do pátio. Wifrun se ajoelhou ao lado de seu companheiro. "Chamem os médicos do Forte!!", berrou. O sangue pingava da lâmina de Alfredo, enquanto ele se distanciava da cena.
- Knotte se aproximou de Alfredo. "Não era um duelo até a morte! Olha o que você fez!"
- Alfredo embainhou sua arma. "As espadas chegaram a uma decisão: ele era um ímpio, afinal de contas."
- Knotte empurrou seu ex-companheiro. "Você é ridículo! Você quis matar ele desde o início! Ele te estendeu a mão e você o matou!"
- "Ele perdeu o duelo, nada mais. Somos cavaleiros. Se os Videntes realmente fossem incapazes de nos guiar, ele teria ganho, mas não ganhou. Espero que agora você caia em si e perceba a verdade por trás dessa estrela que tanto idolatra."
- Lágrimas surgiram nos olhos de Knotte. "Não tenha dúvidas disso, Dom Alfredo. Finalmente percebi a verdade por trás da estrela que eu sempre idolatrei."
Um grupo de guardas começou a se aproximar de Alfredo, e aproveitando o caos e os portões abertos, ele saiu na contramão da multidão e desapareceu no Forte. Ao mesmo tempo, Lan desceu da topiaria do pátio, caindo na frente de Knotte.
- "Você realmente acredita nessas coisas que você disse?"
- "Acredito sim, Lan. Vivemos muitas coisas, e minhas dúvidas apenas se acumularam ao longo dos anos."
- "Então você não acredita que estivemos tornando o mundo um lugar melhor?"
- "Lan, nosso objetivo nunca foi tornar o mundo um lugar melhor. Pelo contrário -- nós estivemos sempre atuando pra manter o mundo exatamente como ele é. E o mundo não é um bom lugar, Lan. Injustiça, pobreza, morte... Os Videntes não estão tentando melhorar nada disso, eles estão tentando manter as coisas exatamente como elas são. Eu sei que você também quer tornar o mundo um lugar melhor, mas Lan, não é isso que estivemos fazendo..."
- "Você realmente acha que tudo que fizemos foi em vão?"
- "...Nos meus piores momentos, eu temo que sim."
- "Mas só estávamos tentando fazer a coisa certa."
- "E eu ainda estou tentando fazer isso, Lan."
- "Mas os Videntes são místicos, e Fez é só um homem! Você sacrificaria tudo para massagear o ego de um homem mortal, sedento por poder?"
- "Eu reconheço que ele é só um homem, e não estou entrando nessa porque desejo serví-lo cegamente. Mas ele propôs o melhor plano até agora, e eu não estou vendo os Videntes propondo qualquer alternativa."
- "Ele propõe violência! Ele quer romper com tudo, derramar sangue do Trono! É nisso que você acredita?"
- "Lan, hoje realmente houve violência neste Forte... mas não foi Fez que a propôs."
- Um silêncio com cheiro de décadas se expandiu para preencher o espaço entre os dois homens. Eles haviam lutado lado-a-lado mais vezes do que se podia contar. Haviam confiado a vida um ao outro, dormido sob os mesmos tetos, sofrido as mesmas mágoas. Mas de alguma forma impossível, aquilo tudo parecia insuficiente.
- Lan: "Então... é isso, eu acho."
- Knotte assentiu. "Acho que sim."
- Lan desviou o olhar e começou a partir em direção aos portões. Os médicos do Forte já haviam chegado. Um deles, o mais velho, se debruçava preocupado sobre o corpo de seu Lorde.
Knotte encontrou o rosto de Regge na multidão. "E você, o que decidiu?"
Regge devolveu o olhar. Estava resoluto. "Eu vou ficar."
Knotte assentiu. "Fico feliz, Regge. Fico feliz."
O médico-chefe balançou a cabeça negativamente para os lados. Uma lágrima escorreu de seu rosto. "Lorde Fez... está morto."
Wifrun, ouvindo a mensagem, prontamente a amplificou com um longo berro: "LORDE FEZ ESTÁ MORTO!!!"
A multidão, que a essa altura envolvia não apenas cavaleiros e médicos mas também guardas, serviçais e até mesmo alguns camponeses do Forte, agora estava em polvorosa. Gritos foram dados pedindo a cabeça do assassino -- mas a essa altura Alfredo já estava muito distante, assim como Lan. Dos 19 cavaleiros que haviam vindo ao pátio, agora restavam apenas 16. E o número parecia fadado a diminuir mais ainda, agora que os planos da tarde haviam ido por água abaixo.
Temeroso de que o momento se perdesse, Sir Knotte subiu num dos degraus do pátio e proclamou: "Cavaleiros! Hoje vocês viram aqui o maior exemplo do mundo que os Videntes defendem. Um mundo em que sangue é derramado sem nenhum motivo, um mundo em que você convida outros para seu lar com uma mensagem de esperança, e é assassinado a sangue frio! É isto que os Videntes pregam! Eles nos chamam de violentos, mas são eles que recorrem à violência antes da palavra! Lorde Fez morreu hoje, mas seu sonho permanece vivo. Se vocês continuam acreditando num mundo melhor, num mundo em que não somos escravos mas que discutimos abertamente e chegamos a um consenso, num mundo em que a confiança é conquistada e não assumida, num mundo em que nossos líderes são escolhidos... Juntem-se à nossa causa."
Sir Wifrun levantou sua espada. "Eu acredito na causa, Sir Knotte. E dado o que sei de você e as palavras que disse aqui hoje, voto que seja nosso líder. Lorde Fez estaria satisfeito."
Príncipe Regge levantou sua foice. "Você tem meu apoio, Knotte."
Os cavaleiros olhavam uns para os outros, tentando processar as novas circunstâncias. Muitos tinham dificuldade de conciliar o estado atual da situação com suas próprias emoções -- emoções estas que tanto haviam mudado ao longo da tarde. Neste momento, uma garota abriu espaço entre a multidão para pôr-se diante de Knotte. Ela se ajoelhou.
De olhos fechados, ela proclamou: "Eu, Aradia, juro lealdade ao Forte Din e ao Sir Knotte. Meu tio." Ela levantou os olhos e sorriu.
Knotte franziu o cenho. "Aradia... Não é lealdade a mim, você não está prestando atenção? Estamos fazendo uma coisa meio democrática aqui..." Sorriu. "Obrigado sobrinha."
Andona, a Cavaleira do Musgo, proclamou: "Dane-se isso tudo. Alfredo estava certo, renegar nossos votos é demais. Estou fora. Adeus a todos."
Com ela, se foram mais alguns, e alguns outros ficaram; no fim do dia, o Reino havia sido rachado quase exatamente ao meio. Todos os acontecimentos foram ouvidos pelos Videntes, que certamente já preparavam suas respostas -- o que Fez pusera em movimento não estava nem próximo de se finalizar. Muito pelo contrário -- anos depois olharíamos para este dia, e perceberíamos que foi ali que tudo começou.
Este foi um relato breve daquele dia. Ele pode não ser perfeito, mas foi o que me lembro daquele dia.



